TRANSPETRO, TNC E OS DANOS CAUSADOS AO LITORAL DE NOSSA REGIÃO


Após uma série de 4 vazamentos de óleo, durante as atividades do Terminal Norte Capixaba (TNC), entre os anos de 2009 e 2011, foram desencadeadas diversas consequências socioambientais ao litoral mateense e praias adjacentes à de Barra Nova (São Mateus-ES). O material, tóxico e nocivo, se espalhou até essas praias por trabalho da correnteza. 

Infelizmente, nosso litoral, lar de muitas famílias dependentes da pesca artesanal, abrigo de um importantíssimo ecossistema, e até mesmo local de desova de tartarugas marinhas, tem sofrido todas as consequências causadas por agressões de acidentes assim desde os últimos 10 anos. É tempo de se recuperar de uma tragédia, e outra bater à porta.


(2009, mancha de óleo na praia de barra nova) imagem retirada de seama.es.gov.br/



ENTENDENDO O PROBLEMA


Os fotossintetizadores, são aqueles que formam a base para todos os ecossistemas que recebem luz. Isso ocorre pois a luz é o elemento crucial da entrada de energia e seu fluxo 

na cadeia alimentar. 

Ao deixar o óleo entrar em contato com a água, e se espalhar, os responsáveis pelos vazamentos permitiram que a entrada dessa luz fosse, parcialmente, impedida. Fazendo assim, com que os produtores do nosso ecossistema, não tivessem os meios necessários para realizar a fotossíntese (nesse caso, a luz solar), e através dela realizar seu metabolismo. A partir disso, todo o ecossistema corre perigo, pois se dá início a um catastrófico efeito dominó: sem luz, sem produtores, e sem produtores não há maneira que consumidores primários possam se alimentar, e assim por diante. Desse modo, o fluxo de energia que deveria fluir através dos níveis tróficos, nem mesmo chega ao ecossistema.

Esse exemplo  serve para nos dar uma dimensão do problema que enfrentamos quando esse tipo de acidente ocorre.


Terminal norte capixaba, retirada de agazeta.com.br


São muitos os impactos causados, tanto de ordem ambiental quanto social, uma vez que isso pode bem afetar desde setores como o turismo em nossa região, até as muitas famílias de pescadores artesanais, que dependem da qualidade e quantidade do pescado para sua sobrevivência, e que estariam arriscando suas vidas e a de seus consumidores ao usufruir de um alimento proveniente de um local em que foi exposto a substâncias tóxicas.

O petróleo espalhado na superfície do mar, quando forma manchas, além de afetar a fotossíntese, também atrapalha as trocas gasosas, o que afeta diretamente ciclos como os do carbono e oxigênio.

Uma frase que nos explica bem uma outra consequência, é a do biólogo André Maia: “Uma alga contaminada é comida por um peixe pequeno contaminado, que é comido por um peixe maior também contaminado, e assim sucessivamente. O final da cadeia é onde vai ter a maior quantidade de toxinas. E o final dela, somos nós.”




REVERTENDO O PROBLEMA


Há métodos que podem ser utilizados para conter o avanço do óleo, como é o caso das barreiras de contenção. Elas funcionam com uma série de bóias ligadas umas às outras, que impedem que o óleo se misture para além da barreira. Outros métodos se concentram somente em dispersar ou quebrar as manchas de óleo da superfície, tal qual é o caso das dispersões químicas ou mecânicas. 

Entretanto, não possui método de limpeza no mundo que substitua a conscientização e a prevenção desse tipo de acidente. Até porque, mesmo que boa parte do petróleo vazado  seja retirada por ação humana, ou evaporada e biodegradada por ação da natureza, ainda restarão resquícios de substâncias extremamente nocivas à humanos e seres vivos que habitam no mar, que são invisíveis a olho nu e muitas vezes cancerígenas. Além de todo dano e transtorno que o acidente em si já terá causado ao meio ambiente.

No fim, a TRANSPETRO, responsável pelo TNC, foi devidamente multada em R$50 milhões pelo Ministério Público Federal do Espírito Santo, mas nada reverte os prejuízos causados ao ambiente e as pessoas (principalmente os pescadores, que tiveram uma redução de aproximadamente 30% de seus pescados somente após o início das atividades do terminal).

Como membros desta comunidade, devemos sempre nos atentar e cobrar ações, para que danos assim sejam evitados. Que após uma série de sucessivos acidentes, tenhamos aprendido alguma coisa, e tomemos precauções de maneira mais consciente.



FONTES

http://g1.globo.com/natureza/noticia/2011/11/especialistas-avaliam-metodos-para-conter-vazamento-de-oleo-no-rio.html


https://observatorio-eco.jusbrasil.com.br/noticias/3119734/mpf-quer-condenar-a-transpetro-em-multa-de-r-50-milhoes


https://mundoeducacao.uol.com.br/quimica/danos-causados-por-vazamentos-petroleo-nos-oceanos.htm


https://www.agazeta.com.br/es/economia/quando-o-problema-nao-e-a-mineracao-e-o-petroleo-desabafa-pescador-1119


https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/transpetro-e-denunciada-por-poluicao-de-praia-em-sao-mateus


Comentários

  1. Muito bom! Vocês conseguiram fazer um boa relação com o conteúdo estudado!
    Só faltou colocar no nome dos autores.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Guriri: uma de suas implicações na saúde da população mateense

O esgoto e seu destino como uma questão ambiental

Os perigos da pesca ilegal